terça-feira, 12 de janeiro de 2010

embriaguez de brisa

ao longe o mar coberto
de manta branca e cheiro forte
desnuda o verbo e inspira
na inspiração do que comove

e junto ao verbo, o vento
na ventania de areias a grudar
areias nestes fios castanhos
emoldurando um rosto ao mar

e na pele a brisa corta
oposta ao sol do dia
se fecha pelo os olhos a lembrar
a esquecer que se sentia

e dentro de uma brisa embriagante
as feições se hormonizam com o esquecimento
o corpo se esvoaça num vestido errante
no pensamento que se vai com o vento

por entre os cílios se via
que se cintila em mil a luz distante
como um farol a iluminar a noite preta
e um impulso eterno como um instante



nem sempre é bom falar do mar. é um fluir de águas em pensamento, e águas correntes e salgadas e marinas e só águas. então que transbordem

um dia voltarei a falar de asfalto. e isso ainda não é uma troca justa.
bom mesmo é falar do ar, ou de qualquer lugar que não se repete


ouvindo os acordes adictos e oníricos de John Frusciante - Smiles from the streets you hold

bons sonhos

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

suave como um correr de águas bravas

com o sal do mar no corpo
e com a inquietude de um pensamento levado ao céu
dakele sentimento do qual se bóia no mar
da vez em que trocamos o olhar
o infinito e eu

...



quero mudar de indentidade
transformar os cheiros,
que eles sejam de outras ruas
de campos pensados
dakeles delírios noturnos
assim como as poluções dos jovens
num gozo poético

mas longe e eterno
distante e em mim