terça-feira, 27 de outubro de 2009

Excerto sobre modernidade

Reflexões sobre modernidade e essência humana.

Na sua romântica novela A nova Heloisa, o jove heróis, Saint-Preux, realiza um movimento exploratório - um movimento arquétipo
para milhões de jovens
nas épocas seguintes - do campo para a cidade. Saint -Preux escreve à sua amada, Julie, das profundezas do tournillon social, tentando
transmitir-lhe suas fantasias e apreensões. Ele experimenta a vida metropolitana como "uma permanente colisão de grupos e conluios,
um contínuo fluxo e refluxo de opiniões conflitivas.(...) Todos se colocam frequentemente em contradição consigo mesmos",
e "tudo é absurdo, mas nada é chocante, porque todos se acostumaram a tudo".
Este é um mundo em que " o bom , o mau, o belo, o feio, a verdade, a virtude, têm uma existência apenas local e limitada".
Uma infinidade de novas experiências se oferecem,, mas quem quer que pretenda desfrutá-la " precisa ser mais fliexível que Alcibíades,
pronto a udar seus princípios diante da platéia, a fim de reajustas seu espirito a cada passo".
Após alguns meses nesse meio,

" Começo a sentir a embriaguez a que essa vida agitada e tumultuosa me condena.
Com tal quantidade de objetos desfilando diante de meus olhos, eu vou ficando aturdido.
De todas as coisas que me atraem, nenhuma toca o meu coração,
embora todas juntas perturbem os meus sentimentos,
de modo a fazer que eu esqueça o que sou e qual é o meu lugar."
(Jean-Jacques Rousseau, de "A Nova Heloísa, cartas)


Ele reafirma sua intenção de manter-se fiel ao priemiro amor, não obstante receie, como ele mesmo diz:
" Eu não sei, a cada dia, o que vou amar no dia seguinte".
Sonha desesperadamente em algo sólido a que se apegar, mas " eu vejo apensa fantasmas que rondam meus olhos e
desaparecem assim que os tento agarrar".
Essa atmosfera - de agitação e turbulência, aturdimento psíquico e embriaguex, expansão das possibilidades de experiência e
destruição das barreiras morais e dos compromissos pessoais, auto-expansão e autodesordem,
fantasmas na rua e na alma - é a atmosfera que dá origem à sensibilidade moderna.


(Marshal Berman, de "Tudo que é sólido desmancha no ar") - que eu anida não li inteiro

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

CÉU





o céu que sugere algo além da palavra

o azul que remete à uma memória afetiva,
uma recordação imediata
um espanto,
algo que brilha
que extravasa,
o céu por si basta
é a poesia que se encerra em si
paro aqui.


..eu ainda não me rendi ao "a natureza e só ela"
essa é pra quem é

Foto de Geraldo Arcanjo
http://www.flickr.com/photos/geraldz

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

OUTROS EM MUITOS

as vezes se leva
décadas para gostar de alguém
a quem não se consiga ver além
é formal, oi tchau
se esforça na simpatia
insiste no que não convém



no mais são outros

restos

rostos

corpos

gestos

nulos

mudos



que me vem em verbo quieto
talvez cinco ou dez, porém
sobre os corpos em excesso
eu não gosto de ninguém

AVENIDA

as pessoas parecidas
vibram na mesma sintonia
se encontram na mesma avenida
em qualquer rua da vida


se reconhecem

se olham

se combinam

se tocam

se beijam

e se esquecem


do encontro se faz arte
do que se desfaz em instantes
por todo instante de vida

não é sutil sentir

sentimentos sutis

pra mim condiz

numa contradição

quando se sente vibra

não há metade, é valente

sufoca

grita

sinaliza

que tudo o que se vive

derepente é vida

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Cidades que não sei o nome

molho meus pés
a margem de rios e mares
em cidades que não sei o nome
divagando nomes,
homens
bebendo destilado sem rótulo

a brisa é quente,
não é inóspito
e há tons de verde,
nada é inóspito
sigo..
sigo..
sigo em frente
num sonho insólito

o vento
lento
no cabelo

é leve e vai indo
se vê o caminho
no ir sendo
de olhos fechados
vou seguindo

sentindo o vento
lento
no cabelo

é leve e vai indo...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Minha alma é claustrofóbica

A dor liberta
extravasa no corpo
o que na alma perece
extrai da lágrima
o que no sorriso esquece

no olhar atento
ao fato ao gesto
os sentidos ao gosto
ao suspiro, ao gozo

não me rendo mais ao apelo
dos sabores pequenos
dos medos mesquinhos
dos olhares não atentos
dos desafetos extremos

minha alma é claustrofóbica
é drama e clama
reclama e xinga
vibra, agoniza,
cai
e não morre
fere o corpo
e vinga

Leminski

sábado, 3 de outubro de 2009

poema pieguinha

Não sei que boas palavras podem definir tudo hoje
nesse infinito de coisas vãs
sei que nesta noite pouco me resta
na imensidão das horas vazias
eu trago em minha companhia
bons tragos de vinho
e na música um pouco de alegria.