terça-feira, 24 de novembro de 2009




noturna

abri a agenda e li:
as vezes penso se esse sentimento triste, é a sobra do que seja não sentir

...eu gosto, não é sempre, mas é uma escolha
é meu inverso

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Consciência negra, Consciência clara



Costumo dizer que grande parte da minha vida é uma teia trabalhada pela sincronicidade.
Não consigo empregar nenhum sentido transcendente à isso,
mas são coisas recorrentes na minha vida, e eu não posso negar.
No dia 19 de novembro deste ano, recebemos nossos vizinhos em casa, pela política da boa vizinhança,
e sorte, houve grande empatia entre ambas as famílias, e são pessoas aparentemente muito boas mesmo.
Ultimamente tenho tido a aprovação de crianças, o que me surpreende, já q eu não tenho a menor disposição com certa faixa etária,
mas a surpresa é também pela aprovação mútua...tenho gostado de ficar com crianças. A filha (10 anos) do casal que nos visitava,
começou a conversar comigo e conversa vai conversa vem, me contou
que apanhava na escola, e apanhava muito de uns meninos,
e com um sorrisinho ingênuo e cosntrangido, dizia: 'saia até sangue da minha boca., bem aqui do lado'. E eu: mas que catso?!
Fui aprofundando o assunto, queria saber os motivos, e quem batia, e no desfecho a menina disse:
"Eu apanhava de uns meninos da minha sala, um era o filho do diretor...eu apanhava porque sou morena!"
É tanta a agressão, que até receio de dizer negra, a menina tem, e não é atoa, claro

Sincronicamente, este fato precede o dia da consciência negra, q além de ser um dia de descanso pra quem trabalha,
é um dia que sugere a reflexão..longe de querer parecer publicidade de ong, mas pra mim está sendo.
Sinceramente não perco tempo tentando identificar a minha cor, nem tenho o hábito de reivindicar sobre as questões raciais,
mesmo compreendendo toda a problemática histórica da questão, mas percebe-se não apenas o resquício de um legado racista imoral,
como a prática desse legado...e o que é incrível, por crianças, e olha que grande irônia: filhos de diretores de instituição de ensino.
Sou criticada por ser marxista, inclusive por sociólogos. Isso só caracteriza ainda mais a miséria espiritual que assola nossa vida,
reles expropriados e trabalhadores, mas caracteriza ainda e principalmente uma miséria analítica e conteudista desses parciais cientistas sociais.
Minha reivindicação, resistência e ainda espero militância sempre, SEMPRE será em oposição ao capital, e ao sistema de mercado que coisifica gente,
mercantiliza pessoas e redundantemente, TRAFICOU NEGROS. Pouco resultado tem estudar os quilombos, se você não estuda o capital.
Por menos evidente que seja, na sua causa e na sua consequência
a escravidão, o apartheid, e toda a manifestação histórica de racismo, não se dissociam de como a econômia se organiza,
de como o capital acumulou suas riquezas, entre tantas formas pela escravidão, e de como se institucionalizou como modo de vida, e se reproduz material e imaterialmente.
Por tanto, ser contra o capital é ser contra a expropriação de todos os tipos, contra a violência racial, e discriminação de gênero e ser a favor da humanidade e liberdade.


Pra ilustrar o texto, mandei um desenho do Emory Douglas, sobre os Panteras Negras
e pra sonorizar, como zafricana que sou, mando um vídeo do Z'africa Brasil,
que desconsiderando o discursso pró-ladrão, q é até pouco abordado,
(e mesmo assim eles o fazem bem embasado...naquela pegada do Perry Farrel explicando a letra de Been Caught Stealing do Janes Addiction, ou até melhor)
é um puta grupo engajado e politizado. Respeito total!


axé pra vc's

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Soul

sou feliz no quase silêncio
tenho a capacidade de ser feliz com o nada
de ser feliz sem fato

no fluir da alma,
há um estado sóbrio
e é inevitável

na calma, na clareza, na certeza
de que algo maior se constitui pelo mínimo
no quase nada de toda grandeza





ao som de Beauty Pill, com o coração saudoso, e na pegada do quase, o pé quase na estrada

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Papers

Hoje lembrei q tenho o hábito de escrever..tanto e sobre qualquer merda, que as vezes nem consigo guardar...São coisas sobre a vida,
sobre as pessoas, sobre situações, intenções, sobre o vento, sobre meu bolo preferido, são imperfeições..até na forma, mas eu jah não ligo..(deveria)
..isso qdo eu consigo escrever já q muita coisa se perde, ou pela velocidade do pensamento, ou pela dificuldade do registro.
Tava dando uma fuçada nas minhas velharias, e eu sou papeleira mesmo..adoro um papel.
em várias folhas, tava lá minha 'subjetividade histórica', as pessoas importantes ou não da minha vida..deseinhos, rabiscos, provas, textos,
livros, cartas, cartas de amor (!!), agenda de trabalho, anotações, agenda telefônica...
e como uma pessoa q tah prestes a morrer, fiz uma revisão rápida e cronológica da minha vida.
No entanto não tenho nenhuma metáfora mágica ou conclusão grandiosa sobre isso..só vi e me apertou, recordei com tanta verdade q senti muito.
Me lembrei de coisas q esqueço facilmente pela brutalidade da vida, como o qto tenho a capacidade de amar
alguém, o qto alguém jah me amou (emo),
o quanto eu sou comprometida com meus trabalhos "magníficos", o qto eu sempre registrei td de alguma forma,riscando escrevendo ou desenhando,
o qto eu já li nessa vida, e ainda é pouco, minhas dissertações de faculdade, q hj eu penso..Jesus, quem foi Althusser?..enfim.
O papel tah ali, q não deixa mentir, e mesmo qdo carrega mentiras, é a mentira na intenção do acerto e do encontro: é um registro.
Isso tudo pq talvez eu publique coisas que eu escrevia a dez anos atrás.
e tbm pra notificar q odeio qdo fico nostálgica. mas é necessário de vez em qdo..e eu nem sei pq ao certo, mas isso faz com q eu lembre de mim,
lembre dos processos..e é uma forma de
resgate e até de resistência, já q somos forçados cotidianamente a abstrair td o q nos torna mais gente e menos coisas..
e é por isso q eu sempre vou encontrar meus papeizinhos por aí...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Não leia

não me escrevam poemas
não façam sexo virtual comigo
não me digam palavras bonitinhas
eu não quero saber de ninguém
eu não gosto de fofoca
não me falem de valor
não me fale de deus, não me fale de fé
não me fale de fetiche
não me dêem conselhos
não me falem da periferia, reformismo ou projeto social
não quero saber do direito dos negros, nem dos direitos das mulheres
não me enfiem pré-conceitos
não me diga nada que não seja bem embasado
cansei de sentimentalismo mal colocado
não me dêem bom dia em dia nublado
cansei do 'futebol totemista'
de discursso falso progressista
não me xavequem, não me digam frases feitas
cansei da ironia óbvia,
cansei do culto ao café, eu odeio café
exceto pela rima
café não combina com maré
eu não gosto dos bons modos
nem das caras feias
não sou brava, não sou mulata, não sou baleia
não gosto de rótulo, nem de módulo
Saco de longe auto-afirmação
não gosto do eu sou isso, isso, aquilo
de auto apelidação
tipo Aninha, Fulaninha, Paulão
não gosto da vida vã, do amor vão
por isso eu me afirmo na negação.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Omar

o mar se impõe
sobre qualquer pensamento
que há
e os meus sentimentos se tornam
como o vai e vem do mar

então toda a imensidão
é do tamanho do olhar
e mesmo na ausência de tudo
o mar está lá

o mar é o mesmo sempre
e se espelha no infinito
o mar é o mesmo sempre
e eu não sinto nada sobre isso.

domingo, 1 de novembro de 2009

O amor diz não

o amor morreu
eu o matei
o amor é um vacilo
querer é ilusão
tudo faz mais sentido
quando digo não

Sonho

eu não tenho um sonho
não me pré determinei
a vida é vaga e se perfaz
a cada sonho que não se tem.

Fernado Pessoa - O universo não é uma idéia minha

O Universo não é uma idéia minha.
A minha idéia do Universo é que é uma idéia minha.
A noite não anoitece pelos meus olhos,
A minha idéia da noite é que anoitece por meus olhos.
Fora de eu pensar e de haver quaisquer pensamentos
A noite anoitece concretamente
E o fulgor das estrelas existe como se tivesse peso.


(Ficções do Interlúdio - Alberto Caeiro)


como dizem, um dos mais materialistas dos heterônimos de Pessoa. Porém Caeiro não se entitulava dessa forma, nem de nenhuma outra, justamente por sua negação a tudo qto era especulativo,principalmente ao intelectualismo. Negava abstrações.
Com objetivismo absoluto, conseguia com linguagem simples, extrair lirismo das sensações das coisas por elas mesmas, recusando qlqr tipo de pensamento metafísico.


Lembro que na infância, tinha o mesmo tipo de pensamento sobre as coisas e sobre a realidade que me cercava. O pensamento sobre o que se sente e não sobre o que se sabe, por que sentir já é saber e basta. Até pq qdo se é criança pouco se sabe e se constrói pensamentos simples, pouco arquitetado, livre de mistificações.
Desde pequena tenho o vicio de observar e sobre o q observava, sentia, e essa era minha conclusão das coisas.
Nessas Caeiro não é uma influência de vida, é um reencontro.

Além de livro de cabeçeira, é remédio pra minha doença de pensar demais.
Mestre, incontestável!