sábado, 22 de maio de 2010
quarta-feira, 19 de maio de 2010
em nós não cabia poesia, não se pensava sobre ar, não se pensava sobre o dia
erámos engenho sem ciência. a curiosidade de um sentimento
germinado em nossos beijos. cavando nosso instinto, tumultuando nosso silêncio
corando nosso rosto, instalando nosso código.
seu cheiro barato pela tarde, sua mão o céu áspero. me deitei na sua órbita
me deixei no mundo, por aí flutuei, em nós dois, em quatro, 360.
nesta órbita o ciclo se encerra, e em algum lugar comum da história nossa pele se esbarra.
o eixo da terra se desloca, e assim anoitece em nossos sonhos.
se vê que escurece rapidamente, em um tempo a mais na rotina,
na rotina que repousa a novidade, e ao fim o amor que em vento pó vira
e o nosso tempo passou
erámos engenho sem ciência. a curiosidade de um sentimento
germinado em nossos beijos. cavando nosso instinto, tumultuando nosso silêncio
corando nosso rosto, instalando nosso código.
seu cheiro barato pela tarde, sua mão o céu áspero. me deitei na sua órbita
me deixei no mundo, por aí flutuei, em nós dois, em quatro, 360.
nesta órbita o ciclo se encerra, e em algum lugar comum da história nossa pele se esbarra.
o eixo da terra se desloca, e assim anoitece em nossos sonhos.
se vê que escurece rapidamente, em um tempo a mais na rotina,
na rotina que repousa a novidade, e ao fim o amor que em vento pó vira
e o nosso tempo passou
...
Há um ano, eu caminhava pela rua e fazia planos, achando q um ano, é tempo suficiente para que um ano, seja passado demais.
E hoje, um ano a frente, andando pela mesma morosidade de ventos e ruas, eu ainda não tenho nenhuma grande conclusão sobre o que um ano pode significar. sei que são 365 dias, em q nada pode acontecer, compreendendo 365 dias cheios de possibilidades também. eu mudei, e mudo nas mesmas ruas em que penso que nada pode mudar, por que é um pensamento que me leva para além do que eu sou, e para além das ruas que estou.
o vento, a tarde, a rua, e aquela velha onda, ainda estão lá, imóveis, comtemplativas, esperando mais um passo passar em pensamento
essa poesia abaixo eu fiz em parceria com o Otto João Leite, assinatura do meu bom amigo Paulo Marques,e figura as mesmas sensações de um ano atrás, ainda presente.
!Gira mundo, gira!
Essa paz
(Thais / Otto João Leite)
Há nessa paz algo de aterrorizante
em cegos e mudos transeuntes,
intransigentes e inflexíveis
Que faz do senso comum amiga da opressão
Mentes engessadas inimigas da razão
O medo que repousa sobre a paz dos rostos sorridentes
Na felicidade infundada da classe emergente
Há nessa paz de espírito
um comportamento fabricado, convencional
a invenção de Deus, um culto surreal
Há nessa paz e amor
a guerra e o ódio
as mortes, o genocídio, a honra ao mérito
de fazer da morte uma constante
a troco de tudo, a troco de nada
Há nessa paz de dia ensolarado, praiano
a perpetuação da ludribriação das massas
Um ocultismo mórbido, um ocultismo pessoal
Sobre todas as mazelas
Sobre o que é humanamente imoral
Sobre as catástrofes, sobre a crise
a gripe, o capital
Há nessa paz imaginária a supremacia do mal
sobre os sonhos, sobre as vontades
sobre a liberdade, a integridade, sobre o real.
Há nessa paz algo que se esconde
nas vidas, nas entranhas, nas entrelinhas
se difunde, se propaga e contamina
no pensamento, ao vento
sobre a leve sensação de não pensar
de não gozar, de não sentir, de não lutar
de não poder resisitir
de se entregar...
à essa paz mórbida que silencia
sobre o horror, que silencia
sobre a vida, silencia sobre o amor
Essa Paz Essa cotidiana
É a mordaça que nos sufoca
É a casca dura e seca
Que encobre a erupção
É a placa tectônica plácida
Sobre a torrente de lava escaldante
Tampa que arrocha
A panela de pressão chamada mundo
Essa paz provinciana
É a cortina que oculta os bastidores
É o teatro que encena fiel o texto
Escrito e ditado pelos senhores
É o isolamento, a separação
Dos átomos irresolutos
Em ebulição
Debatendo-se em tumultos
Essa paz de apatia
Asséptica, anêmica, amórfica
Essa paz hospitalar
Encapsulada, inerte, filantrópica
Métrica, sistêmica, tumular
Que mortifica, mede e quantifica
Quadricula e classifica
Mantém cada coisa em seu lugar
Essa paz que me faz sentir incapaz
Que cala o grito do inocente
É o aperto do capataz
No pescoço, inclemente
Construída sobre guerra
Miséria humana, bactéria
Icterícia, exploração e tropa de choque
Despejo, vigilância, reintegração de posse
Essa paz tão falsa e ilusória, tão efêmera
Que só poderá ser mantida
A toque de recolher
Essa paz comprada e vendida
Fabricada, planejada e produzida
Mordaça que nega a vida
E que se retorce, tentando conter
O grito e o alvorecer
O retorno do banido
A vingança do vencido
A inversão do sentido
O grito de dor contido
A irrupção do amor reprimido
A realização do sonho incompreendido
(Maio de 2009)
E hoje, um ano a frente, andando pela mesma morosidade de ventos e ruas, eu ainda não tenho nenhuma grande conclusão sobre o que um ano pode significar. sei que são 365 dias, em q nada pode acontecer, compreendendo 365 dias cheios de possibilidades também. eu mudei, e mudo nas mesmas ruas em que penso que nada pode mudar, por que é um pensamento que me leva para além do que eu sou, e para além das ruas que estou.
o vento, a tarde, a rua, e aquela velha onda, ainda estão lá, imóveis, comtemplativas, esperando mais um passo passar em pensamento
essa poesia abaixo eu fiz em parceria com o Otto João Leite, assinatura do meu bom amigo Paulo Marques,e figura as mesmas sensações de um ano atrás, ainda presente.
!Gira mundo, gira!
Essa paz
(Thais / Otto João Leite)
Há nessa paz algo de aterrorizante
em cegos e mudos transeuntes,
intransigentes e inflexíveis
Que faz do senso comum amiga da opressão
Mentes engessadas inimigas da razão
O medo que repousa sobre a paz dos rostos sorridentes
Na felicidade infundada da classe emergente
Há nessa paz de espírito
um comportamento fabricado, convencional
a invenção de Deus, um culto surreal
Há nessa paz e amor
a guerra e o ódio
as mortes, o genocídio, a honra ao mérito
de fazer da morte uma constante
a troco de tudo, a troco de nada
Há nessa paz de dia ensolarado, praiano
a perpetuação da ludribriação das massas
Um ocultismo mórbido, um ocultismo pessoal
Sobre todas as mazelas
Sobre o que é humanamente imoral
Sobre as catástrofes, sobre a crise
a gripe, o capital
Há nessa paz imaginária a supremacia do mal
sobre os sonhos, sobre as vontades
sobre a liberdade, a integridade, sobre o real.
Há nessa paz algo que se esconde
nas vidas, nas entranhas, nas entrelinhas
se difunde, se propaga e contamina
no pensamento, ao vento
sobre a leve sensação de não pensar
de não gozar, de não sentir, de não lutar
de não poder resisitir
de se entregar...
à essa paz mórbida que silencia
sobre o horror, que silencia
sobre a vida, silencia sobre o amor
Essa Paz Essa cotidiana
É a mordaça que nos sufoca
É a casca dura e seca
Que encobre a erupção
É a placa tectônica plácida
Sobre a torrente de lava escaldante
Tampa que arrocha
A panela de pressão chamada mundo
Essa paz provinciana
É a cortina que oculta os bastidores
É o teatro que encena fiel o texto
Escrito e ditado pelos senhores
É o isolamento, a separação
Dos átomos irresolutos
Em ebulição
Debatendo-se em tumultos
Essa paz de apatia
Asséptica, anêmica, amórfica
Essa paz hospitalar
Encapsulada, inerte, filantrópica
Métrica, sistêmica, tumular
Que mortifica, mede e quantifica
Quadricula e classifica
Mantém cada coisa em seu lugar
Essa paz que me faz sentir incapaz
Que cala o grito do inocente
É o aperto do capataz
No pescoço, inclemente
Construída sobre guerra
Miséria humana, bactéria
Icterícia, exploração e tropa de choque
Despejo, vigilância, reintegração de posse
Essa paz tão falsa e ilusória, tão efêmera
Que só poderá ser mantida
A toque de recolher
Essa paz comprada e vendida
Fabricada, planejada e produzida
Mordaça que nega a vida
E que se retorce, tentando conter
O grito e o alvorecer
O retorno do banido
A vingança do vencido
A inversão do sentido
O grito de dor contido
A irrupção do amor reprimido
A realização do sonho incompreendido
(Maio de 2009)
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