sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Consciência negra, Consciência clara



Costumo dizer que grande parte da minha vida é uma teia trabalhada pela sincronicidade.
Não consigo empregar nenhum sentido transcendente à isso,
mas são coisas recorrentes na minha vida, e eu não posso negar.
No dia 19 de novembro deste ano, recebemos nossos vizinhos em casa, pela política da boa vizinhança,
e sorte, houve grande empatia entre ambas as famílias, e são pessoas aparentemente muito boas mesmo.
Ultimamente tenho tido a aprovação de crianças, o que me surpreende, já q eu não tenho a menor disposição com certa faixa etária,
mas a surpresa é também pela aprovação mútua...tenho gostado de ficar com crianças. A filha (10 anos) do casal que nos visitava,
começou a conversar comigo e conversa vai conversa vem, me contou
que apanhava na escola, e apanhava muito de uns meninos,
e com um sorrisinho ingênuo e cosntrangido, dizia: 'saia até sangue da minha boca., bem aqui do lado'. E eu: mas que catso?!
Fui aprofundando o assunto, queria saber os motivos, e quem batia, e no desfecho a menina disse:
"Eu apanhava de uns meninos da minha sala, um era o filho do diretor...eu apanhava porque sou morena!"
É tanta a agressão, que até receio de dizer negra, a menina tem, e não é atoa, claro

Sincronicamente, este fato precede o dia da consciência negra, q além de ser um dia de descanso pra quem trabalha,
é um dia que sugere a reflexão..longe de querer parecer publicidade de ong, mas pra mim está sendo.
Sinceramente não perco tempo tentando identificar a minha cor, nem tenho o hábito de reivindicar sobre as questões raciais,
mesmo compreendendo toda a problemática histórica da questão, mas percebe-se não apenas o resquício de um legado racista imoral,
como a prática desse legado...e o que é incrível, por crianças, e olha que grande irônia: filhos de diretores de instituição de ensino.
Sou criticada por ser marxista, inclusive por sociólogos. Isso só caracteriza ainda mais a miséria espiritual que assola nossa vida,
reles expropriados e trabalhadores, mas caracteriza ainda e principalmente uma miséria analítica e conteudista desses parciais cientistas sociais.
Minha reivindicação, resistência e ainda espero militância sempre, SEMPRE será em oposição ao capital, e ao sistema de mercado que coisifica gente,
mercantiliza pessoas e redundantemente, TRAFICOU NEGROS. Pouco resultado tem estudar os quilombos, se você não estuda o capital.
Por menos evidente que seja, na sua causa e na sua consequência
a escravidão, o apartheid, e toda a manifestação histórica de racismo, não se dissociam de como a econômia se organiza,
de como o capital acumulou suas riquezas, entre tantas formas pela escravidão, e de como se institucionalizou como modo de vida, e se reproduz material e imaterialmente.
Por tanto, ser contra o capital é ser contra a expropriação de todos os tipos, contra a violência racial, e discriminação de gênero e ser a favor da humanidade e liberdade.


Pra ilustrar o texto, mandei um desenho do Emory Douglas, sobre os Panteras Negras
e pra sonorizar, como zafricana que sou, mando um vídeo do Z'africa Brasil,
que desconsiderando o discursso pró-ladrão, q é até pouco abordado,
(e mesmo assim eles o fazem bem embasado...naquela pegada do Perry Farrel explicando a letra de Been Caught Stealing do Janes Addiction, ou até melhor)
é um puta grupo engajado e politizado. Respeito total!


axé pra vc's

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